Vejo nuvens
contornadas
por um roxo
enigmático.
São bordas adesivas
que as atracam
como continentes
cartografados
sobre a atmosfera
aquarelada.
Estranho aquela
que contém
(ou encarna)
um hipopótamo:
pesado bicho
para se tornar aéreo!
Pensando bem,
há uma trilha natural
entre potamós
e metéoros.
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domingo, 13 de março de 2011
sábado, 12 de março de 2011
QUINZE PAISAGENS COM SOL, QUINZE COM LUA (8)
Eu queria fazer um haicai
que apenas registrasse essa
lua repousada
(prefácio de madrugada)
no piso da sala.
Entretanto, não foi possível,
pois perco tempo cismando:
como pude saber que é ela
nessa forma quadrangulada?
Por que no chão vejo a lua
em vez do vão da janela?
que apenas registrasse essa
lua repousada
(prefácio de madrugada)
no piso da sala.
Entretanto, não foi possível,
pois perco tempo cismando:
como pude saber que é ela
nessa forma quadrangulada?
Por que no chão vejo a lua
em vez do vão da janela?
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Marcantonio
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sexta-feira, 11 de março de 2011
QUINZE PAISAGENS COM SOL, QUINZE COM LUA (7)
Por vezes,
em meio à aridez
dos meus domínios
desertos,
ocorrem prodígios:
meus olhos,
Lázaros amortecidos
entre faixas oclusivas,
despertam
para a paisagem
do afeto.
em meio à aridez
dos meus domínios
desertos,
ocorrem prodígios:
meus olhos,
Lázaros amortecidos
entre faixas oclusivas,
despertam
para a paisagem
do afeto.
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quinta-feira, 10 de março de 2011
QUINZE PAISAGENS COM SOL, QUINZE COM LUA (6)
Prontidão de madrugada:
não me basta apenas
ouvir o som da rã
caindo no velho tanque
d’água.
Preciso capturá-la,
dela fazer uma cobaia
e dissecá-la ocidentalmente
como parte da paisagem.
Não o animal propriamente,
mas a imagem.
não me basta apenas
ouvir o som da rã
caindo no velho tanque
d’água.
Preciso capturá-la,
dela fazer uma cobaia
e dissecá-la ocidentalmente
como parte da paisagem.
Não o animal propriamente,
mas a imagem.
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quarta-feira, 9 de março de 2011
QUINZE PAISAGENS COM SOL, QUINZE COM LUA (5)
Verto uma afluência
de sombras noturnas
que não se dissipam
na foz
do mar azul turquesa
do dia.
Surge desse encontro
de tintas,
faixa de intersecções
cromáticas
expansivas
sobre o plano úmido.
Manchas com frações
miscíveis,
e áreas recuadas que
permanecem intactas.
de sombras noturnas
que não se dissipam
na foz
do mar azul turquesa
do dia.
Surge desse encontro
de tintas,
faixa de intersecções
cromáticas
expansivas
sobre o plano úmido.
Manchas com frações
miscíveis,
e áreas recuadas que
permanecem intactas.
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terça-feira, 8 de março de 2011
QUINZE PAISAGENS COM SOL, QUINZE COM LUA (4)
Na madrugada
a janela não contrasta tanto
com a paisagem verídica.
Passa uma motocicleta com uma vida
isolada.
Passa um carro branco com duas vidas
colaterais.
Passa um ônibus ancho com uma dúzia de vidas
sentadas.
Passa aflita,
anunciando o enigma da sorte,
a sirene da desdita:
agudo risco de morte.
a janela não contrasta tanto
com a paisagem verídica.
Passa uma motocicleta com uma vida
isolada.
Passa um carro branco com duas vidas
colaterais.
Passa um ônibus ancho com uma dúzia de vidas
sentadas.
Passa aflita,
anunciando o enigma da sorte,
a sirene da desdita:
agudo risco de morte.
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segunda-feira, 7 de março de 2011
domingo, 6 de março de 2011
sábado, 5 de março de 2011
sexta-feira, 4 de março de 2011
QUINZE PAISAGENS COM SOL, QUINZE COM LUA (PREÂMBULO)
O homem caminha
na paisagem
dentro e fora
da linha.
Esfrega nos olhos
os nomes que inventam o que ele vê.
Ele diz:
Árvore!
Campo!
Animal!
Rio!
Sol!
Céu!
Se eu
Sinto:
Eis a paisagem!
na paisagem
dentro e fora
da linha.
Esfrega nos olhos
os nomes que inventam o que ele vê.
Ele diz:
Árvore!
Campo!
Animal!
Rio!
Sol!
Céu!
Se eu
Sinto:
Eis a paisagem!
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