Eu só quero falar
do que não alcanço:
o ar perdido dos pulmões;
aquela auréola de luz
que envolve o inseto
zunindo ao sol;
segundo por segundo
tudo que sucede
depois que as mãos
largam o trapézio-pêndulo,
o trapézio sob a lona do circo,
não a forma geométrica
- deserto que nada diz
de mim para mim mesmo.
Eu poderia ser chinês. Russo
eu poderia ser. Eu poderia ser
francês, esquimó, grego, beduíno,
judeu, tailandês, palestino,
aborígine, nórdico, africano
ou todo et cetera humano.
Qualquer rosto desse multiplicado
ser de esperança, desesperado,
eu poderia ser.