“H”, DE HORA
Neste ponto, há uma reversão
Poética:
A borboleta, de súbito,
Aprende a tecer um casulo
E nele se interna.
O que quer que tenha visto
Na sua vida aérea, logo
Hiberna.
O casulo se rompe e liberta
Uma lagarta
Apta para amar coisas pequenas,
Terrenas,
Galgar o caminho desconhecido
Nos galhos das árvores
- Onde se prendem retalhos do céu,
Cenário plano
E raso –
E ali devora ao acaso as folhas
Com sabor de pergaminho,
Nelas desenhando rendas
Com fendas lidas ao tato
De todo raio solar.
E sequer relembra o dom do vôo
Quando a folha de que se alimenta
Aparenta ser balsa que plana
Sobre as ondas de ar.
| Anselm Kiefer, Glaube, Hoffnung, Liebe, técnica mista, 1986. |






