Tento escrever um verso neológico
Onde você permaneça junto a mim
Ensimesmada.
Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner
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quinta-feira, 13 de janeiro de 2011
ARMADILHA
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Marcantonio
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15:06
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quarta-feira, 12 de janeiro de 2011
CAMINHOS
(Para Dade Amorim)
Escrever é,
com alguma sorte,
divisar surpresas
no mesmo trajeto:
da esquerda para a direita,
de cima para baixo,
direto.
Desenhar é
suspender-se ao vento,
figurar com a linha
novos trajetos
para o pensamento.
Escrever é,
com alguma sorte,
divisar surpresas
no mesmo trajeto:
da esquerda para a direita,
de cima para baixo,
direto.
Desenhar é
suspender-se ao vento,
figurar com a linha
novos trajetos
para o pensamento.
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10:05
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terça-feira, 4 de janeiro de 2011
DESCONSTRUÇÃO
Menino, eu costumava
desmontar os meus brinquedos,
buscando entrever
o misterioso coração da alegria.
Adulto, ainda permaneço
infantil anatomista,
tentando entender
como se oxigenam as células
das palavras
sem corrente sanguínea.
desmontar os meus brinquedos,
buscando entrever
o misterioso coração da alegria.
Adulto, ainda permaneço
infantil anatomista,
tentando entender
como se oxigenam as células
das palavras
sem corrente sanguínea.
| Pieter Brueghel, Jogos Infantis, 1560 |
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14:42
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terça-feira, 28 de dezembro de 2010
ATONIA
A minha fé lírica
vai despencando
pelo poema,
degrau por degrau
até o térreo átono:
este não-verso
e último passo.
vai despencando
pelo poema,
degrau por degrau
até o térreo átono:
este não-verso
e último passo.
| Alexander Rodchenko, cartaz para o filme O Encouraçado Potemkin, de Eisenstein |
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14:38
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domingo, 19 de dezembro de 2010
INSUFICIENTE
Todo o léxico é pouco.
Não é bastante a oceânica
língua
para inundar o silêncio da
planície.
Pouco.
Não é bastante a oceânica
língua
para inundar o silêncio da
planície.
Pouco.
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14:09
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quarta-feira, 8 de dezembro de 2010
SEM RETORNO
Há uma palavra
que não tem para onde retornar,
porque não foi pródiga,
porque não saiu de casa.
| Dürer, O Filho Pródigo, gravura em cobre |
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14:34
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sexta-feira, 3 de dezembro de 2010
INCONSCIENTE COLETIVO?
Ignoro o estoque total
das minhas ocultas facetas.
O que translado para cá
nem sei se trouxe de mim:
muita vez me sinto apenas
um provinciano estafeta.
das minhas ocultas facetas.
O que translado para cá
nem sei se trouxe de mim:
muita vez me sinto apenas
um provinciano estafeta.
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14:44
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terça-feira, 30 de novembro de 2010
SONS
Para o sentido da paisagem
A poesia não me abriu os olhos:
Eles já eram expertos.
Ela abriu os meus ouvidos.
A poesia não me abriu os olhos:
Eles já eram expertos.
Ela abriu os meus ouvidos.
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14:32
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CONTÍNUO OU DESCONTÍNUO?
Parece que a poesia
desdobra o ano
em 365 estações.
Ou quer a poesia
um ano
sem estações?
desdobra o ano
em 365 estações.
Ou quer a poesia
um ano
sem estações?
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13:33
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sábado, 27 de novembro de 2010
TALVEZ
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14:46
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quinta-feira, 25 de novembro de 2010
EXPLETIVO
Deixa-me pôr para fora
O que aqui dentro desconvém,
O que de dentro não sei,
O que de dentro não vem.
O que aqui dentro desconvém,
O que de dentro não sei,
O que de dentro não vem.
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14:53
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segunda-feira, 22 de novembro de 2010
POESIA ANDANTE
Que guia me trouxe
A este círculo vicioso
Do inferno
Que nunca se avoluma
Numa esfera real?
A este círculo vicioso
Do inferno
Que nunca se avoluma
Numa esfera real?
| Gustave Doré, ilustração para a Divina Comédia, de Dante |
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12:45
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quarta-feira, 17 de novembro de 2010
AINDA LÁ FORA
Deixe a porta aberta
que a poesia concreta
há de vir
quando eu sair.
que a poesia concreta
há de vir
quando eu sair.
| Matisse, O Violinista à Janela, 1918 |
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10:17
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domingo, 7 de novembro de 2010
OLHAR
Se houvesse apenas
uma verdade total
e evidente lá fora,
tudo seria ciência natural,
aqui, agora.
Mas, a poesia existe
porque há um lado de dentro
que quer ser visto
como lado de fora.
uma verdade total
e evidente lá fora,
tudo seria ciência natural,
aqui, agora.
Mas, a poesia existe
porque há um lado de dentro
que quer ser visto
como lado de fora.
Man Ray, Undestructable Object
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13:55
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quinta-feira, 4 de novembro de 2010
DA BUSCA
Buscando palavras
como quem aponta
estrelas cadentes...
Até o momento,
vi passar
uma apenas: “tarde”.
como quem aponta
estrelas cadentes...
Até o momento,
vi passar
uma apenas: “tarde”.
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15:10
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quarta-feira, 3 de novembro de 2010
INEVITÁVEL
A palavra termina revestindo a vida
que eu pretendera desnudar.
Lucien Freud, Garota com Olhos Fechados, Óleo s/ tela, 1987
que eu pretendera desnudar.
Lucien Freud, Garota com Olhos Fechados, Óleo s/ tela, 1987
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06:16
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terça-feira, 26 de outubro de 2010
REPTO
Tenho dúvidas
Se aqui, neste vazio
Comovido,
Já há um poema.
A simples menção
Da palavra ‘poema’
Já faz algo se agitar
Na cidadela:
São as outras palavras
Alvoroçadas;
Correm e se abrigam
Como se temessem
O dilúvio.
Dividem-se em grupos;
Formam assembléias;
Votam pela greve.
Algumas ficaram pelo chão
Se fingindo de mortas.
Mas ouço sua respiração
De covardes.
-Apareçam palavras poéticas!
Apareçam se têm entranhas,
Se tiverem coragem!
Apareçam! Covardes!
Se aqui, neste vazio
Comovido,
Já há um poema.
A simples menção
Da palavra ‘poema’
Já faz algo se agitar
Na cidadela:
São as outras palavras
Alvoroçadas;
Correm e se abrigam
Como se temessem
O dilúvio.
Dividem-se em grupos;
Formam assembléias;
Votam pela greve.
Algumas ficaram pelo chão
Se fingindo de mortas.
Mas ouço sua respiração
De covardes.
-Apareçam palavras poéticas!
Apareçam se têm entranhas,
Se tiverem coragem!
Apareçam! Covardes!
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
INDEPENDENTE
Obstinado,
o poema incubado
aflora,
na exigüidade
do teclado.
Assim como a vida
lá fora,
não perde oportunidade
de traduzir-se em flores,
mesmo
na saturação de cores
da pós-modernidade.
Klimt, Jardim com Girassóis, óleo s/ tela, 1906.
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15:38
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O Ascensor do Dia
REBELDIA
Palavra que desatina:
dança dança
dança dança
sem música:
só mímica
dança dança
dança dança
sem música:
só mímica
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15:25
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sábado, 23 de outubro de 2010
MENSAGEM
E se já fora dito
o que acabei de dizer?
É o có-digo!
o que acabei de dizer?
É o có-digo!
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Marcantonio
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13:30
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