QUIROMANCIA
Um dia, algo cairá das minhas mãos
E não saberei por quê.
Um dia, estarei diante daquela porta
Como se fora o filho pródigo,
E ao adentrá-la estarei saindo.
Um dia, nascerá do meu coração uma árvore.
E não será uma secóia.
Um dia, farei uma escada com meus livros
E o último degrau será a borda dum abismo.
Um dia, irei ao cemitério como quem vai
A um batizado,
E compreenderei tudo o que amei
Me acreditando odiado.
Um dia, o vento dirá com dicção clara
A frase apócrifa que numa noite medonha
Me sussurrara.
Um dia, saberei que poderia ter tido a vida
De qualquer outro,
Fosse o pássaro, o peixe, o cordeiro ou o lobo.
Um dia mirarei as estrelas da Via Láctea,
E me será indiferente se o que vir for
Muito ou pouco.
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| Rembrandt, A Volta do Filho Pródigo, água-forte. |