É bonito o gesto
De retirar um palito de fósforo à caixa,
E deslizando-o contra a suave lixa
Apoderar-se de uma chama breve
Que faz incidir uma aurora relâmpago
Na concha da mão que a sustenta.
Mas não seria de tal natureza -
Esse tirar do escuro disparo único de incandescência -
A beleza da palavra que inicia um poema.
Mas pensemos no gesto aparentemente
Falho
De deixar cair o conteúdo da caixa ao chão:
Eis aí um vislumbre do universo poético,
Uma galáxia derreada
Que não pode ser inteira incendiada
Pelos olhos.
Dessa oferta combustível caótica
Que estrela primeira, ainda apagada,
Será recolhida?
| Alexander Rodchenko, O Poeta Vladimir Mayakovsky, 1924 |
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