“Z”, DE ZODÌACO
Suspensos no ar
Há moldes invisíveis de mãos,
Feitos em não sei qual matéria permanente.
Vez ou outra,
Enganchamos os cabelos
Na constrição de alguma garra;
Ou algum indicador fixo
Reproduz, sem intenção,
O arco de nossas sobrancelhas;
Ou um polegar se aplica às nossas faces
Como se as quisesse virar para o
outro lado.
Mãos abertas, ocas e alongadas
Podem fazer par acidental
Com uma de nossas mãos
Para batermos palmas sem som.
Talvez ao recuarmos recebamos
Tapinhas nas escápulas,
Ou nos ponhamos a espantar moscas inexistentes.
Ou cortemos o ar com a quintessência
De lâmina numa espada fictícia.
Tantas destras e sinistras,
Flutuantes móbiles,
Devem ser enigmas de gestos não
concluídos,
E apenas poderemos interpretá-los
Se calçarmos como luvas de gesso
Essas mãos alienadas.
![]() |
Anselm Kiefer, Merkaba, 2011 |