Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

domingo, 12 de agosto de 2012

FACETAS (17)


Vão diminuindo ano a ano
Os interlocutores do vento
Que uiva mais solitário
Em diálogo seleto:
Escasseiam as árvores que lhe respondam
Agitadas,
Mas ele não obtém sequer um aceno
Compensatório
Do rígido auditório
Formado por edifícios de ferro e concreto.


Marcantonio


13 comentários:

Bípede Falante disse...

praticamente uma sagrada família esse edifício ferro e concreto.
talvez, até mais que a maior parte é mesmo de aço à prova de amor.
beijoss
ps. Que bom que você voltou.
Está tudo diminuindo. Os blogs, a arte, os ventos e a gente que vai junto encolhendo.

assis freitas disse...

do rígido rito do aço faz-se o laço oblíquo do olhar,


abraço

Tania regina Contreiras disse...

Marquinho, você traduziu belamente uma angústia que cresce em mim. Eu, que privei da intimidade com as árvores que dançavam à música do vento, e que hoje me arrebento numa Salvador que preservava resuícios de minha história, minha infância, e hoje abafa todas as almas que já viveram um dia o que vivi.

Que bom que você voltou.

Beijos,

Tati disse...

Que belo poema urbano.
Digno de abrir discurso de política pública!
Abraço

Eliana Mora [El] disse...

"interlocutores do vento' é de uma singeleza, e de uma dignidade...um sem fim de sensações passarem por mim ao ler este teu poema, Marcantonio.

Um retrato 'mudo' de nosso tempo.

beijos
Eliana [El]

Cris de Souza disse...

O poeta retorna a construção com mais uma bela obra...

Beijão, mago!

Caroline Godtbil disse...

Chegará o dia em que comemoraremos o dia da árvore com um min de silêncio...
Apocalíptico seu poema, mas infelizmente verdadeiro.
Beijo.
Sigo contigo.

cirandeira disse...

Mas o vento é poderoso e semre nos traz de volta aquela brisa, aquele aroma perfumado que pensávamos haver perdido. Tão bom te ler novamente, Marcantonio!

um beijo

Anna Amorim disse...

Bela poética a dizer desta angústia que vivemos na contemporaneidade.

um abraço,

Anna Amorim

marlene edir severino disse...

Tristes estes novos tempos.

Mas belo esse vento que te trouxe

Abraço, poeta!

Vais disse...

altamente urbano
poema e imagem
o vento não atravessa o concreto
torna-se quase um invasor quando há frestas e carregado de pó de pixe entope os ares sempre condicionados
e das frondosas árvores vemos e são arrancados os matinhos nas trincas, nas rachaduras dos passeios e do asfalto

beijo pra você Marcantonio

Tania Anjos disse...

Olá, Marcantonio!

Diria um grande amigo meu: "você marioandradiou".


Belo poema!

Abraços!!

Vais disse...

êta, Marcantonio
esse x passou batido, assim na surdina
o x da questão
piche informe
piche arte
isprei
tchiiiiiiiii
piche preto
piche colorido
tchiiiiiiii
inform
cons
ação
ciência
tchiiiiiiiii
piche consciência
grafitarte
piche preto
negro noite
tchiiiiiiii

um abraço