Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

segunda-feira, 15 de abril de 2013

ABECEDÁRIO (q)




”Q”, DE QUANDO

A espera a tudo vai tornando
Descontínuo.
Somente ela, a própria espera,
Impõe-se como longa estrada-distância
Ou túnel-ânsia.

Fecham-se as janelas adicionais
E as portas coadjuvantes,
Laterais.
As sequências se fracionam,
Não há gotas caindo
Nem escala solar,
Pois a luz não muda na sala de estar esperando,
E os únicos números existentes
São os marcos alienados intrínsecos
Aos minutos da própria espera sem agora...

O que vem de lá e tanto demora?


Anselm Kiefer, Sulamith, téc. mista, 1983.


4 comentários:

Eleonora Marino Duarte disse...

poeta,
não sei o que gosto mais, se da construção de sua poesia, com versos que vão se encadeando e nos envolvendo em um ritmo, quase como ver o balançar de folhas em árvores, quando a brisa se alterna entre leve e mais intensa, ou se das ideias que são desenvolvidas nos temas que escolhes, sempre com a presença de uma questão filosófica, misturando sua visão consciente como opinião pessoal, no pano de fundo do poema.

além, é claro, da precisão em ilustrar, com imagens bem escolhidas, as postagens...

eu sei, gosto de tudo aqui, pois é!


beijo.

Tania regina Contreiras disse...


Um adescrição da espera tão poeticamente lúcida que traz a angústia e o anseio junto com o prazer das construções.

Beijos,

marlene edir severino disse...

"Pois a luz não muda na sala de estar esperando,"

Poema permeado de ansiedade
plácida

Beijão, Marco!

Caroline Godtbil disse...

Isso é a espera... "pois a luz não muda na sala de estar esperando".
Toda espera é sem agora...
Perfeição!
Beijos.