”Q”, DE QUANDO
A espera a tudo vai tornando
Descontínuo.
Somente ela, a própria espera,
Impõe-se como longa estrada-distância
Ou túnel-ânsia.
Fecham-se as janelas adicionais
E as portas coadjuvantes,
Laterais.
As sequências se fracionam,
Não há gotas caindo
Nem escala solar,
Pois a luz não muda na sala de
estar esperando,
E os únicos números existentes
São os marcos alienados intrínsecos
Aos minutos da própria espera sem
agora...
O que vem de lá e tanto demora?
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Anselm Kiefer, Sulamith, téc. mista, 1983. |
4 comentários:
poeta,
não sei o que gosto mais, se da construção de sua poesia, com versos que vão se encadeando e nos envolvendo em um ritmo, quase como ver o balançar de folhas em árvores, quando a brisa se alterna entre leve e mais intensa, ou se das ideias que são desenvolvidas nos temas que escolhes, sempre com a presença de uma questão filosófica, misturando sua visão consciente como opinião pessoal, no pano de fundo do poema.
além, é claro, da precisão em ilustrar, com imagens bem escolhidas, as postagens...
eu sei, gosto de tudo aqui, pois é!
beijo.
Um adescrição da espera tão poeticamente lúcida que traz a angústia e o anseio junto com o prazer das construções.
Beijos,
"Pois a luz não muda na sala de estar esperando,"
Poema permeado de ansiedade
plácida
Beijão, Marco!
Isso é a espera... "pois a luz não muda na sala de estar esperando".
Toda espera é sem agora...
Perfeição!
Beijos.
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