“N”, DE NADIR
Eu cresço pelo que absorvo,
O sorvo de estrelas a irrigar
A feérica madrugada,
De onde se seguirá a aspiração
Pela manhã tão decidida
A não olhar para trás
E a recusar a via de retorno
Ao Hades.
Para além da cabeça do dia,
Os signos dormentes no ventre da tarde,
O pensamento dobrado ao meio
Por onde o sangue pouco flui
E o conseqüente formigamento
De luzes ocultas que logo se
acenderão.
Um pouco mais, e a transfusão
Sanguínea do crepúsculo
Na veia vazante do vazio...
Mas eis no céu outro jorro
De linfa azul-marinho
Com grânulos luminosos nela
infusos.
É assim que aumento de tamanho:
Os olhos descerrados,
Incompetentes para chorar,
E os poros em estado dilatado de
alerta.
![]() |
Julian Schnabel, Sem título, técnica mista, 2011. (Daqui) |
4 comentários:
Eu preciso da via de retorno ao Hades. É cíclico esse meu destino. Ó, que coisa, adorei isso:
Um pouco mais, e a transfusão
Sanguínea do crepúsculo
Na veia vazante do vazio...
Nossa! Saudades de você.
Beijos,
e este
..."outro jorro
De linfa azul-marinho"
no céu
a alertar
(faz diferença imensa)
Abraço Marcantonio!
Sobre o tamanho que se encerra a beleza, teu Nadir, esta pérola:
http://youtu.be/1H-O1WxDf40
...e um agradecimento especial, não conhecia Julian Schnabel, a delicadeza do óleo em poliéster.
esse poeta n pega leve
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