Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

sexta-feira, 23 de março de 2012

COLEÇÃO PARTICULAR (23)

NINFA SERIA.

Seus cabelos iludem os colibris.

Seus cílios fazem cócegas
No dorso dos peixes de um secreto lago.

Seus olhos têm a cor das castanhas
Flagradas na grama por focos de luar.

Um arroio espumante de luz se inicia
Na fenda entre seus lábios.

Sob seu queixo não há inverno.

Nascem flores em suas axilas.

Nos seus seios se ordenha
Sumo de pétalas róseas maceradas.

Seus dedos se enlaçam aos do vento
Para tocar a sineta dos frutos maduros.

Em suas unhas polidas submersas
As algas se miram
Enquanto na corrente se penteiam.

Seus pés plantam sons de folhas caindo.

Morde-se uma fruta inédita
Em seus tornozelos.

Por trás de seus joelhos
Um nicho para paisagens virgens.

Nenhum nevoeiro se expande
À altura das suas coxas.

Entre suas virilhas, entre suas virilhas
Clareira orvalhada.

Brancusi, La Muse, mármore, 1912.

8 comentários:

gagau disse...

Maravilha marcantonio, muito bom "Seus cabelos iludem os colibris".Esta coleção é mais que esboços poéticos,e sim a poesia viva.

abraços GAGAU

Fred Caju disse...

Musas e ninfas gostam de perseguir poetas.

Cris de Souza disse...

Uau, do jeitinho que coloca parece que é... Que leitura prazeirosa, envolvente da cabeça aos pés!

Beijo, azulado*

Andrea de Godoy Neto disse...

as ninfas atiçam poesia com uma sensualidade intocada

poema envolvente. E com um traço de delicadeza que me é novidade :)

beijo, Marco!

cirandeira disse...

Tão lindas! Tão perfeitas!
Pena que sejam apenas uma miragem
a perseguir os poetas!

um beijo

Tania regina Contreiras disse...

Que lindo, Marquinho! "Um arroio espumante de luz se inicia
Na fenda entre seus lábios"...Poema-miragem, maravilhosamente belo!
Beijos,

Anna Amorim disse...

A palavras acariciando a beleza...

Beijos,

Anna Amorim

Dalva M. Ferreira disse...

Muito bonito, uma lisonja.