“H”, DE HORA
Neste ponto, há uma reversão
Poética:
A borboleta, de súbito,
Aprende a tecer um casulo
E nele se interna.
O que quer que tenha visto
Na sua vida aérea, logo
Hiberna.
O casulo se rompe e liberta
Uma lagarta
Apta para amar coisas pequenas,
Terrenas,
Galgar o caminho desconhecido
Nos galhos das árvores
- Onde se prendem retalhos do céu,
Cenário plano
E raso –
E ali devora ao acaso as folhas
Com sabor de pergaminho,
Nelas desenhando rendas
Com fendas lidas ao tato
De todo raio solar.
E sequer relembra o dom do vôo
Quando a folha de que se alimenta
Aparenta ser balsa que plana
Sobre as ondas de ar.
![]() |
Anselm Kiefer, Glaube, Hoffnung, Liebe, técnica mista, 1986. |
6 comentários:
Belo poema !!!
Do caralho. Fiquei até a fim de colocar um meu por aqui que vai mais ou menos por aí, mas com uma mariposa. Como submeti o poema a um edital não poderei colocar aqui, mas assim que sair o resultado mostro.
Abração, poeta.
feliz 2013 Marcantonio que muita poesia e arte, paz, luz e felicidade te acompanhem neste ano!
Do viver ao contrário... Gostei desta reversão poética!
Isa Lisboa
http://instantaneospretobranco.blogspot.pt/
E ali devora ao acaso as folhas
Com sabor de pergaminho,
Nelas desenhando rendas
Com fendas lidas ao tato
De todo raio solar.
E sequer relembra o dom do vôo
Quando a folha de que se alimenta
Aparenta ser balsa que plana
Sobre as ondas de ar.
Isso é poesia: o resto é resto.
Mravilhoso, arrebatante poema!
beijos,
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