Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

quinta-feira, 28 de abril de 2011

INTERIORES E VIDA SILENCIOSA (XVII)

19 – interior de redomas

Não será o teu aquário
feito rio embrionário
ou berço de algum mar:
é bolha d’água exilada
e finita,
em cômodo da tua casa
estrita,
[a tua própria ampola
inscrita
na grande redoma de ar
que no vácuo, sem par,
orbita].

Matisse, Mulher e Peixes, ost, 1921

5 comentários:

Cris de Souza disse...

implacável!

(a mulher do quadro parece uma estátua)

beijo, meu mago.

observaçãozinha: mesmo caladinha não perco uma linha sua, viu.

betina moraes disse...

marco,

as rimas fluíram perfeitas!


consigo ver em matisse a mesma fluidez!

um beijo.

cirandeira disse...

As bolhas explodiram há milênios
em mim, em ti, em todos eles. E continuam a multiplicar-se ad infinitum nos vazios de um mundo
tão imenso e tão restrito que é esse
nosso "aquário" que miramos tão insistentemente na tentativa de expandí-lo...!?

um beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

me lembrou uma pessoa esse poema, singelo. belo.

bjs

Bípede Falante disse...

Nossa, que doideira provocante! No meu aquário cabe mais que um peixinho dourado. Só não sei direito o quê. Talvez, um castelinho de plástico para enlouquecer o peixe rs rs.
beijos