Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

sexta-feira, 29 de abril de 2011

INTERIORES E VIDA SILENCIOSA (XVIII)

20 – velhice com vaso de flores

As   flores  de  tecido    plastificado
que   ela    insiste   em    conservar
–  como  fênix   que   ressurgissem
de  bimestrais  lavagens  a   seco –
têm  permanência   tão  mais  triste
do   que   o   natural    fenecimento
das           flores           verdadeiras:
Estas  não têm tempo de  acumular
Sobre a beleza urgente das pétalas
A baça  pátina de gordura e poeira.


Suzanne Valadon, Vaso com Flores, 1920

3 comentários:

Quintal de Om disse...

sinto o perfume das lavandas
emoldurando os tecidos
saculejando as roupas nos varais
ornamentando as lembran~cas
lavando o tempo nas memõrias escorridas...

Velhas amigas!

Meu carinho,
Samara Bassi.

Eleonora Marino Duarte disse...

havia um vaso exatamente assim na casa de minha avó, com a mesma descrição sensorial e as mesmas flores artificiais inertes.

bonito!


um beijo.

Sônia Brandão disse...

Nada mais triste do que essas flores perdidas no tempo.

bjs