Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

segunda-feira, 18 de outubro de 2010

EGO EXCÊNTRICO

Porque tenho uma certidão.
Porque tenho uma certa idade.
Não tenho uma imensidão
de vale.
Tenho validade.

Porque tenho um ego findo.
Porque tenho um ser fugindo
pelas horas.
Porque agora você vindo
já me encontrará
indo embora.

11 comentários:

Leonardo B. disse...

[dos encontros e desencontros com o tempo, há sempre um certo de braço de ferro do dia e identidade: ambos, teimam na estrada fugidia]

um imenso abraço, Marcantonio

Leonardo B.

Lara Amaral disse...

É beeem assim... Amei! =)

fluorescência germinal disse...

o sentimento do tempo também me desgoverna. melhor fazer de conta que o tempo não conta. :) beijo!

cirandeira disse...

Nuitos egos vão embora antes de
findar o prazo de validade!
Uns não têm consciência disso, outros sequer nasceram...

beijo

Lua Nova disse...

Na conta das horas, por conta do medo, deixamos escapar o momento certo.
Beijokas.

Tania regina Contreiras disse...

Quantos te habitam, me pergunto...São muitas vozes que falam por ti. Divergem entre si? Talvez...Mas convergem todos ao mesmo ponto, em nós, que: nos encanta, nos põe reflexivos, nos jogam no abismo tão profundo e necessário. Teus versos trazem inquietude, quase sempre. E eu gosto disso...
Abraços,

S. disse...

Lindo!!

Kenia Cris disse...

Te agarro pelo pé!

A gente inventa um dispositivo para parar o tempo, e não precisa se preocupar com prazo de validade - você é poesia e poesia vive pra sempre.

Abraço apertado!

Cris de Souza disse...

porque tem subversão
e a versão sonoridade

amei, beijo!

Cris de Souza disse...

Nem Freud explica

Pra se livrar do embaraço
O ego desmente
Verdades iminentes

Pra se limpar do percalço
O ego defende
Mentiras inerentes

Mas o Eu se encarrega
Em desmascarar
Nos aponta toda sujeira

Mas o Eu não dá trégua
Em desarrumar
Nos desponta toda poeira

(Cris de Souza)

Mai disse...

Soou-me melodioso e como tudo que escreves, instigante.

Eu mastigo tuas palavras, e as vezes elas derretem na boca.

Muito bom!
E sempre abro um sorriso quando escreves assim.

Acho que ainda não tinha vindo aqui.

abraços