Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

SEM COORDENADAS

Não havia na barriga
do peixe
indícios das distâncias
que percorreu.

Mas os olhos dele
eram duas ilhas
de um mar morto.















 Alexander Adriaenssen,  Natureza morta com peixes

7 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

atípico, novo por aqui essa morte anunciada

beijo

Luiza Maciel Nogueira disse...

então:

confesso que por vezes morro
para não ter de viver pairo
morta viva vou indo
distante de toda distância
anoiteço em gotas de melancolia pura
puramente torta, totalmente louca
é que meus delírios são tão reais
na folha de papel


Beijos!!!

José Carlos Brandão disse...

Quanto mistério nos olhos do peixe - que vê o mundo de través, que se espanta com o mundo ao lado, sempre ao lado, que morre espantado com a vida. Como nós.
Abração.

Non je ne regrette rien: Ediney Santana disse...

corremos tanto, às vezes andamos e ao fim poucas ou quase nenhuma marca fica em nós dos caminhos por onde nos deixamos

Bípede Falante disse...

Nossa, senti o arpão e o sangue invadindo o pouco oxigênio que havia na minha água!

Assis Freitas disse...

touché,


abraço

Kenia Cris disse...

Belíssimo.

Ninguém conhece as distâncias que percorremos nós, peixes grandes e pequenos, e o tipo de perigo ou infortúnio que enfrentamos.

Há que se respeitar qualquer brilho
e até mesmo a ausência dele
nos olhos.


Beijo!