COLECIONADOR
Não é a escuridão que aguardo
Porque dela nunca houve anúncio divino.
Ou me engano? Alguma voz misteriosa
Ameaçou oficialmente cortar a luz do teu dia?
Algum telefonema? Alguma cobrança
Enviada pelo correio celeste?
- Paga a tua dívida ou será cortado
O fornecimento de vida...
Não, a escuridão eu mesmo deduzo.
O que espero é um dilúvio de luz
Num dia que será como o Aurora no Castelo Norhan
Pintado por Turner.
Tu me dizes: isso poderá ser também
Uma forma de cegueira.
Creio que não.
Serão visíveis as silhuetas
De tudo que na luz difusa de agora me é familiar.
Por isso, são essas coisas ímpares
Que recolho à arca.
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László Moholy-Nagy (1895-1946), Mãos e Pincel, 1926. |