Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

terça-feira, 20 de setembro de 2011

TEMPO DE EXPOSIÇÃO (18)

VER-SE A VIVER

Poesia é uma experiência
Restritiva.
O teu corpo em minhas mãos
E eu me vendo acima de nós
A te amar.

Algo se esvai nessa concentração
Superior,
Perco muito
Por não me perder de todo.

E se inteiro me perdesse,
Teria a posterior plenitude
De não ter que nos recompor
Por palavras.

Teríamos a suma identidade
De um terno momento
De esquecimento.

Acho que poesia serve para
Lembrar
Tudo que não deveria ser
Poesia.

Luicen Clergue, Nu de la Forêt, 1971 (daqui)


























Mais e sobre Lucien Clergue AQUI

5 comentários:

Adriana Karnal disse...

Nossa, MArco, me deu um nó rsrsr

Nilson disse...

A poesia nos confronta!!

Tania regina Contreiras disse...

Você nasceu poeta, não há como duvidar...:-)

"Perco muito
Por não me perder de todo"

Eu perco tudo. ´Muito, muito bom te ler...
beijos,

Andrea de Godoy Neto disse...

Marco, sabe do que eu realmente gostaria? de um livro teu, para que eu pudesse abrir uma página qualquer no instante em que desejasse e tivesse sempre a surpresa de me deparar com um poema assim, ainda que já o tivesse lido muitas vezes...

beijo

p.s: esse não é um desejo muito difícil, né?

Celso Mendes disse...

A poesia serve para nos lembrar de tantas coisas, não é? Até do que não é poesia, ou não deveria ser, ou não se desejaria fosse.

Belo texto!

abraço.