Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

sábado, 18 de junho de 2011

PROVAS DO ARTISTA (11)

CONTO

O horizonte rendido deixara de fugir,
Então o filósofo sob uma árvore chorava
Lágrimas gratas que evaporavam
Ao tocarem seu peito ardente,
E se condensavam em nuvens permanentes,
No azul movediço estacionadas.

Apenas a árvore fazia a tarde viva e bela,
Voando para bem longe
Nas folhas que o vento lhe roubava.


Evandro C. Jardim, A Visão mais Distante da Árvore, gravura em metal

5 comentários:

Mariana disse...

Esse filósofo com peito ardente me lembrou o personagem do conto "O imortal" do Borges: "Senti no peito um doloroso latejo, senti que a sede me abrasava", diz a dada altura o personagem que vai se esquecendo quem é/foi, se enredando em labirintos e desertos. Mas acho que viajei. Esse filósofo aí tem cara de outra coisa. Não sei, faz bastante tempo que li o conto, já não me lembro de seus desdobramentos. E de mais a mais o filósofo está chorando...

Abraço.

Zélia Guardiano disse...

Encantador, Marcantonio!
Demais!
Ah, essa árvore...
Abraço, amigo.

Assis Freitas disse...

provas do artista, amigo, eu me dedico a maratona, rs,rs,

provas à parte eu aprovo


abraço

Bípede Falante disse...

Marcantonio, só você mesmo para estacionar nuvens em um azul permanente enquanto o resto dos mortais empurra como pode o indizível peso que cada uma delas têm.
beijos
BF
ps. A sua entrevista está também indizível de tão bacana :)
Sou sua fã! Sou, sim.

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Muito bonitas, a poesia e a gravura. O movediço das sombras é isso, o nosso contato com a verdade mais profunda das coisas (e de nós mesmos, claro).

Abraço