Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

TEMPO DE EXPOSIÇÃO (29)

SEPARAR A LUZ DAS TREVAS

Com que mecanismo os teus olhos
Reerguem o sol à noite?
Seria eu mesmo que, de permeio,
Invasivo, te incendeio
Como se em ti tocasse misterioso
Interruptor?
Esta lâmpada particular,
Redoma que fechamos na luz,
Queima de amor?

Que revolucionária reserva,
Uma aurora fechada, mas inconclusa,
Abstraída por carícias à treva.

Neste aparte de luz vamos ao desatino:
Estamos glosando um gesto divino?


Gordon Parks, Front Cover,  A Star for Noon, 2000

7 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Belíssimo início: "Com que mecanismo os teus olhos
Reerguem o sol à noite?".... E isso, que maravilha:
"Uma aurora fechada, mas inconclusa,
Abstraída por carícias à treva."

Um arraso de poema!!!!
Beijos

Analuz disse...

os sentidos se inflamaram:

a(s)cendi...

beijinho com admiração, poeta!

Vais disse...

muito bonito, muito bonito mesmo

as mariposas, Marcantonio
a busca da luz pelas avoadoras
a lua a lâmpada acesa o fogo a chama

viajando na imagem :)
primeiro plano, a imagem de um corpo nu e ao fundo poderia ser uma pintura/gravura de um cavaleiro em seu cavalo à luz da lua conduzindo ou simplesmente indo em uma direção, ou então tudo junto, a cama, o corpo, o cavaleiro, a lua, o descampado/uma paisagem.

gosto disso, :)

abraço pra você

Márcia Luz disse...

Fiquei boquiaberta!
Maravilhoso!!!

Nilson disse...

Sem dúvida, Marcantônio. Fiat lux!!!

Cris de Souza disse...

Vou te contar: esse poema é "daqueles"...

Obra-prima!

Cris de Souza disse...

E o quadro é um "cousa"!