Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

terça-feira, 5 de julho de 2011

PROVAS DO ARTISTA (23)

MENOS

Comprimindo,
Segador,
Ele está vindo:
O tempo-foice.

Renina Katz, O Tempo e o Vento, litogravura
1994

6 comentários:

Mariana disse...

É assustador. Nós somos no tempo.

Que traço permitirá o tempo, na sua ceifa, ficar de nós, exceto o que aceitou com ele compor?

Abraço.

Eurico disse...

Caetano, bom baiano, que não é besta, nem nada, fez um acordo com o tempo, em singela composição, que teu denso poemeto me fez recordar:

Oração ao Tempo

És um senhor tão bonito
Quanto a cara do meu filho
Tempo tempo tempo tempo
Vou te fazer um pedido
Tempo tempo tempo tempo...

Compositor de destinos
Tambor de todos os rítmos
Tempo tempo tempo tempo
Entro num acordo contigo
Tempo tempo tempo tempo...

Por seres tão inventivo
E pareceres contínuo
Tempo tempo tempo tempo
És um dos deuses mais lindos
Tempo tempo tempo tempo...

Que sejas ainda mais vivo
No som do meu estribilho
Tempo tempo tempo tempo
Ouve bem o que te digo
Tempo tempo tempo tempo...

Peço-te o prazer legítimo
E o movimento preciso
Tempo tempo tempo tempo
Quando o tempo for propício
Tempo tempo tempo tempo...

De modo que o meu espírito
Ganhe um brilho definido
Tempo tempo tempo tempo
E eu espalhe benefícios
Tempo tempo tempo tempo...

O que usaremos prá isso
Fica guardado em sigilo
Tempo tempo tempo tempo
Apenas contigo e comigo
Tempo tempo tempo tempo...

E quando eu tiver saído
Para fora do teu círculo
Tempo tempo tempo tempo
Não serei nem terás sido
Tempo tempo tempo tempo...

Ainda assim acredito
Ser possível reunirmo-nos
Tempo tempo tempo tempo
Num outro nível de vínculo
Tempo tempo tempo tempo...

Portanto peço-te aquilo
E te ofereço elogios
Tempo tempo tempo tempo
Nas rimas do meu estilo
Tempo tempo tempo tempo...


Abraço, Poeta.

Luciana disse...

Oi Marco!

Vc disse tudo, com pouquíssimas palavras. Tempo, cronos, devorando seus filhos....

Beijos!

Lu

Celso Mendes disse...

Inexoravelmente sempre menos, nesta entropia que nos rege.

enquanto isso lemos poemas.

abraço!

Mariana disse...

Voltei, para falar outra (e a mesma) coisa.

É que estava ouvindo esta música do Dylan, Not Dark Yet, cheia de conotações místicas, e a execução, no vídeo, é pausada, triste, um blues assim chorado (http://www.youtube.com/watch?v=RZgBhyU4IvQ).

Mas o detalhe é outro: ela está num CD dele muito bom, "Time Out Of Mind", olha que louco: como pensar no tempo fora da gente/da mente? É como dizer assim: tudo vai continuar quando nós passarmos, inclusive o tempo, que é uma invenção nossa.

Abraço.

Dalva Maria Ferreira disse...

Ah, tempo... o tempo não existe não, é só ficção.