Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

sexta-feira, 15 de julho de 2011

PROVAS DO ARTISTA (29)

IMPOSSÍVEL

Uma palavra ofensiva
Leveda em minha língua;
Logo a envolvem
Fios ressentidos,
Num casulo que eu urdo.
Aguardo a metamorfose
Da ríspida pupa
Em alada e leve canção;
Mas isso não acontece,
E a crisálida se enrijece,
Resina viscosa a encobre,
Até que mudo me torne:

Jamais serei poeta
Generoso e nobre.


Marcelo Grassmann, Guerreiro, gravura em metal. (Daqui)

10 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

Expulsa em versos o veneno, pra canção que não vem: poeta tem mil faces.
Muito bom, Marquinho!
Abraços,

Eurico disse...

Marcantonio,
esse Azul já se tornou leitura imprescindível pra mim. E os foles que sopram a forja do Azul têm a potência do teu imenso coração.

Abraço fraterno, Poeta.

Analuz disse...

Visito teu espaço pela primeira vez... onde tem azul me sinto à vontade...

Maravilhosa tua arte!

Beijinho com encanto!

Daniela Delias disse...

Cada prova aqui é mais linda do que a outra, se é que isso é possível rs. Bjos, Marquinho!

Fred Caju disse...

Acredito que generosidade e nobreza não devem ser características de um bom poeta. Assim penso, não seu assim é...

Abraço, camarada!

Menina no Sotão disse...

E eu sempre achei que o destino final do poeta é o silêncio, a mordaça. rs

bacio

Ana Ribeiro disse...

Embora envolta, cristalizada, crisalizada, a palavra lá está... Não tens que ser um poeta generoso... Liberte as asas que te prendem a língua, quero vê-las.

Bípede Falante disse...

Há palavras que batem com a fúria das letras, dos olhos e dos dedos.
beijoss

Walkyria Rennó Suleiman disse...

Generoso e nobre, não sei, não te coneco, mas poeta, ah, tenho certeza que és.

Iracema Macedo disse...

beleza e dor tecidas no próprio casulo, crisálida escura e luminosa