Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

quinta-feira, 14 de julho de 2011

PROVAS DO ARTISTA (28)

METALURGIA POÉTICA

Com estes dedos frios
Tampo os ouvidos,
Mas ainda ouço ruídos
Persistentes
De forja trabalhando
Dentro do meu crânio:

É o claudicante Vulcano
E sua arte dos metais,
Moldando armaduras fictícias
Para meus medos reais.

Peter Brueghel, o Velho, O Alquimista, gravura, 1558

12 comentários:

Cris de Souza disse...

tens um parafuso a mais...

só pode!

beijo, meu mago.

Lara Amaral disse...

Há sons interiores que não se tampa.

Excelente!

Renata de Aragão Lopes disse...

Originalíssimo:
do título
ao derradeiro verso.

Um abraço,
Doce de Lira

Tania regina Contreiras disse...

Ma-ra-vi-lho-so, Marquinho! E Vulcano moldando armaduras fictícias para medos reais...nossa, um espanto.
Adorei,Marquinho.

Eurico disse...

Muito forte e expressivo.
A forja é uma bela metáfora da poíesis. Dia desses o inventor bíblico da forja me fez uma visita.
Estamos na mesma sintonia.

Abraço fra/terno.

Ana Ribeiro disse...

A palavra ecoa mesmo sem parar e nos persegue, até que exaustos, cedemos a seu som intermitente.
Obrigada pela visita, e por seguir.
Bj.
Ana

Celso Mendes disse...

acho que estamos sempre fabricando novas armaduras fictícias, né? elas só não podem impedir o voo.

beleza de poema!

abraço.

dade amorim disse...

Imaginação não tem mesmo limites. Felizmente. Se não fosse assim, como encontrar poemas tão perfeitos, associações desse grau de beleza?

Beijo, Marco.

Fred Caju disse...

A forja não para.

Eurico disse...

Muito grato pelas tuas palavras, Poeta.
Mas os foles que sopram aqui são imensos. E eu já me tornei ledor assíduo deste Azul.

Abç fraterno.

Bípede Falante disse...

Com a mecânica do crânio ninguém se atreve.
beijos

Iracema Macedo disse...

Acho que o deus Vulcano está honrado com essa oferenda poética.