Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

quinta-feira, 28 de julho de 2011

PROVAS DO ARTISTA (36)

VARIAÇÕES EM TORNO DA LUA

    Dedicado à poeta Cris de Souza

Uma flauta impressionista.
Debussy? Ravel?
E a lua, odalisca lânguida,
Dança no céu.

B

Lua, globo sem pupila,
Olho sem retina,
Não nos julgas, nada vês
Da humana insensatez.

C

O céu cessa de chorar
Cai a última lágrima
Soberana:
A lua nacarada
Sobre a poça urbana.

D

A janela se orna:
A névoa, cortina;
A lua, borla.

E

Nave lenta,
Nunca zarpa
Nem recolhe
O velame:
Vela, atenta,
O hemisfério
Que dorme.

F

Pequena reserva de sol
Que atenua o medo
Da noite eterna
- O dia apenas hiberna! -
Solidária lua, talismã
De fé na luz da manhã.


Renina Katz,  litografia sem título, 1997 - Imagem daqui

14 comentários:

Luiza Maciel Nogueira disse...

belíssimos!! E vi a Cris nos espaços entre da poesia! :)

beijos

Daniela Delias disse...

Lindos versos para uma das poetas mais incríveis que conheço...belíssima homenagem!!!

Menina no Sotão disse...

Viajei através dessa metamorfose lunar. Sim, eu me vi em fases, olhando para o céu e colhendo suas luzes, ora intensa, ora amena, ora inexistente. Amei.
bacio

Ps. Recebi seu e-mail e vou respondê-lo, apenas não o fiz porque os dias por aqui estão conspirando contra mim. rs

Cris de Souza disse...

Ah, meu Zeus! Sou falante e adoro presentear mas nunca sei o que dizer quando sou presenteada... Tuas variações em torno da lua fixaram um sorriso em minha face- estou aqui em estado de êxtase. Cada verso mais impressivo que o outro e todos cheios de beleza, mística e luz. Sabes o quanto amo este universo...

Muito, muito obrigada, meu mago!

Beijão, poeta pra lá de adorado.

Assis Freitas disse...

um quase alfabeto para soletrar os espasmos da lua e lira, CRIStal


abraço

Celso Mendes disse...

Da motivação que inspiração se deu, as variações de tom, sabor, ritmo e luminosidade se fizeram poesia. E a lua se fez lira-Cris.

beleza, Marcantonio! Perfeita homenagem à nossa querida Cris.

abraço.

Fernando Campanella disse...

Beleza teus curtos, Marco, lirismo que bebe do antigo, e recria em linguagem tão própria a eternidade da poesia. Forte abraço.

Sam disse...

nesse girar inconstante
sou um ciclo constante
de mudanças que minguam
num vão de quarto
num terço nas mãos
que vertem constelações e enluaram
os olhos
que brotam manhãs
de luas
até encherem-se
e transbordarem-se
de novas
de boas
e cadentes.

Abraços, flores e estrelas, marco.

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Belo poema, Marcantonio. Sempre me impressiona o quanto a lua é uma fonte inesgotável de poesia..

Abraço

Eurico disse...

Reflexos iluminados de um ma/estro enluarado.

Abraço fraterno, Poeta.

Analuz disse...

Belo canto à Cris!

Beijinho com admiração!

Jorge Pimenta disse...

há luares que incitam a todos os uivos! ou não fossem a reserva maior de sol!
abraço, marcantónio, e beijo, amiga tal, cris!

Tatuagem disse...

...e insensatos somos...

Lindos versos!

Beijo

Vais disse...

Olá, Marcantonio,
bela dedicação à Cris
tudo de inspiração
Parabéns a você e a ela
amei este

Pequena reserva de sol
Que atenua o medo
Da noite eterna
- O dia apenas hiberna! -
Solidária lua, talismã
De fé na luz da manhã.

Abraços