Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

domingo, 31 de julho de 2011

PROVAS DO ARTISTA (37)

MALDITA COMÉDIA

Não creio que me dês a mão, ó
Autodenominado poeta maldito!
Tenho subvisão, é pouco o que enxergo;
Como iria guiar-te? Seria grande engano:
A minha aparente lucidez busca abismos,
E a tua suposta loucura não vai ao fundo,
                             Ama o primeiro plano.


William Blake, Dante e Virgílio à Porta do Inferno

12 comentários:

cirandeira disse...

Poeta!, Poeta! O desafio é imenso:
"(...). Deve-se guardar temor unicamente àquelas coisas que guardam em si o poder de causar males a outrem.{...} Por mim se entra no reino das dores; por mim se chega ao padecer eterno, por mim se vai à condenada gente..."
Mas depois que se ultrapassou o umbral não há mais como recuar, "o temor do castigo transforma-se em desejo, (porque) a viagem é comprida."

Que a Musa te proteja, meu caro poeta!

beijosss

dade amorim disse...

Já vejo Dante arrepiado lá onde ele estiver.
Beijo, Marco.

Roberta Mendes disse...

De teus planos sobrepostos alcancei a última camada que é do artista o seu primeiro gesto: a hesitação do pincel antes do primeiro traço. Tanto inventaste até tornar visível o espanto com que te encanta o mundo. Adoro tuas cores.

Celso Mendes disse...

Excelente! Um fio de raciocínio interessantíssimo para altas reflexões...

abraço!

Analuz disse...

Esses disfarces que poeta tem à mão
nunca foram prova de que a voz
não lhe pertence:
eu lírico
é invenção de poeta modesto...

Beijinho com admiração!

Cris de Souza disse...

putz grila!

ô mente brilhante...

Tuca Zamagna disse...

Pô, tu não entende nada de sossego, Marcantonio!

Abraço

Bípede Falante disse...

Quase nada vai ao fundo, que o medo do fundo é sempre mais fundo do que o fundo em si. Mas os seus poemas entram e vão e vão e entram e vão.
Beijoss

Menina no Sotão disse...

Já notou que poesia é momento? As vezes eu leio você a noite e tenho sensações umas; depois te leio de novo pela manhã e pronto, já é outro sentir. Agora por exemplo, fiquei pensando nas ilusões que temos quando nos permitimos olhar através das formas sem nos ocupar com o sentido do que sabemos de fato. É possível abandonar os preceitos, não é fácil, mas é possível.


bacio

Eliana disse...

Oi Marcosantonio, passando pelo maravilhoso blog de Pedro Ramúcio, li uma homenagem a você. Vim correndo conhecer seu blog, chegando aqui, vi que foi bem merecida, e que seu blog é maravilhoso também! Estou te seguindo, se puder dê uma passadinha no meu, é simples, mas estou amando fazer!

Tenha um ótimo dia!!! Um abraço.

nydia bonetti disse...

Eu, nunca vi ninguém tão lúcido... aparentemente. rs Que poema, Marco! Você enxerga além... Qualquer grande poeta te daria a mão. beijo.

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Grande poema.. O mundo tá cheio mesmo de mergulhos no insondável confundidos com lucidez e "loucuras do Paraguai"..

Abraço