Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

quinta-feira, 26 de maio de 2011

INTERIORES E VIDA SILENCIOSA (XL)

42 – Natureza-morta sem medidas

Como se folgassem de seu fado;
como se pausassem, barcos ancorados;
como se, soldados, acampassem ciganos;
como no banho de sol dos encarcerados,
ali esquecidos, desvinculados no espaço,
numa trégua da própria precisão,
o compasso, a régua e o esquadro.


Marcantonio, Melancolia 9 - Ângulos - Técnica mista

6 comentários:

Fouad Talal disse...

"numa trégua da própria precisão"

o retângulo de ouro está se remoendo de inveja...

abraços meu caro.

Domingos Barroso disse...

a viagem é sublime
...

forte abraço,
camarada.

marlene edir severino disse...

Marcantonio,

Precisa e necessária trégua!

Pausei para ler teus versos. Também na minha rotina se fez pausa.

Abraço!

Marlene

Luiza Maciel Nogueira disse...

belíssima obra Marco, belíssima. Essa "melancolia" sugere cantos sombrios de nossos baús escondidos num oceano por aí. MAgnífico.

BJs

Fouad Talal disse...

cara,

tô lendo uns poemas do Chacal e é por isso a "desgraça" não para quieta. Ainda não está do jeito que eu quero...

A Graça é fictícia, mas bem que eu conheço umas outras que não são lá de poesia mesmo.

abração!

dade amorim disse...

Sempre muito necessária essa "trégua da própria precisão". Os objetos são como os poemas, e nada prova mais isso que esse poema.

Beijo beijo.