Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

segunda-feira, 30 de maio de 2011

INTERIORES E VIDA SILENCIOSA (XLIII)

45 – interior com caixas

Em caixas de papelão, empoeiradas,
com um barbante sujo amarradas,
guardo todas as teorias sobre o mundo:
as mesmas que se repetem, reeditadas.

Sobre elas deixo uma caixa não selada,
metade cheia, metade sempre vazia,
com um cheiro de delituosa virgindade:
é a caixa da poesia.


Antoni Tàpies, Composição, 1996

15 comentários:

Mariana disse...

Lindo!

Luiza Maciel Nogueira disse...

a caixa da poesia Marco, deixa eu soprar uns versos falhados aí? ;)

bjs

Celso Mendes disse...

É essa metade sempre vazia que, paradoxalmente, contém a essência da vida...

Definitivamente um belo poema.

abraço.

Sônia Brandão disse...

Sobre todas as teorias,
a lâmpada pura da poesia.

bjs

Batom e poesias disse...

Divino!

bj
Rossana

Tania regina Contreiras disse...

Que delícia de poema, Marquinho! Metade cheia, metade vazia: essa é mesmo uma caixa de poesia...
Beijos,

Cris de Souza disse...

gozei!

que poema saboroso, sonoro, sugestivo e o final encaixou direitinho, viu.

bitoquinha.

marlene edir severino disse...

Que fique assim,
metade vazia,
lugar cativo para tua poesia!

Abraço, Marcantonio!

Marlene

cirandeira disse...

A caixa da poesia:sempre renovada e
cheia de surpresas. A mais valiosa
de todas!

Beijos

Bípede Falante disse...

Caixa rara. Quero tanto ter uma. Mas ninguém dá, ninguém vende e é tão difícil construir uma!!
beijos :)

Marcelo Henrique Marques de Souza disse...

Bacana isso. Me lembrou uma frase do Canetti: "se um poeta não disse, não aconteceu".

Todo poema verdadeiro é sempre um delito, sem dúvida.

Fernand's disse...

que lindo...
senti o hálito vurgem do encanto à poesia.


bjsmeus

Lu disse...

Imagino sempre o que está por vir e assim sendo, a tampa já começa a perder a função. Apenas a caixa e suas ilusões do que guardam ou deixam sair...

bacio

Lara Amaral disse...

Essa sua caixa sempre se renovando! Bom para nós! =)

D.Everson disse...

cara esse poema é nota 1.000, pode publicar um livro que eu compro =]