Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

PROVAS DO ARTISTA (52)

A PALAVRA MORTE

Mover maxilar
E mandíbula,
Martelar
Aquela palavra
Unívoca,
(Diamante terrível)
A mais resistente
E densa,
Triturá-la
Até os limites
Do incompreensível,
Da falta de siso,
Da aparente
Desavença,
Mesmo que me quebre
Os dentes
E me custe o sorriso
De nascença.


José Guadalupe Posada, La Catrina, xilogravura, 1895



















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4 comentários:

Tania regina Contreiras disse...

A-MEI!!!!! Nossa, é pra comentar, dizer algo, acrescentar, mas eu agora, que acabo de ler, só sei ficar pasma: de onde você tira toda essa criatividade????? Por isso que eu me atraso toda nas minhas escritas obrigatórias...Leio um poema desse e me esqueço do resto...Vou mergulhando no poema, pensando. E me basta!
MUITO BOM, Marquinho...

cirandeira disse...

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Analuz disse...

Belo lapidar!o esplendor da palavra há de compensar a falta de riso...

Beijinho com admiração, poeta!

Cris de Souza disse...

ô mente diabólica...

(tô pra ver um esqueleto mais vivo que esse)