Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

sexta-feira, 3 de dezembro de 2010

APONTAMENTO NA BORDA DO DIA (12)

Tenho os ossos doloridos.
Os músculos pesados.
O olhar diluído.
Os nervos de prontidão.

O espelho da manhã
sempre me flagra tresnoitado.
A insônia é um esgarçar
das fronteiras,
um não saber da travessia:
há muito que mal-adormeço
para despertar no mesmo dia.

E sequer me dou conta
desse tanto por fazer
que me torna inadiável.

7 comentários:

Cris de Souza disse...

por gentileza, uma salva de palmas!

detalhe: não me falta o que fazer.

Cris de Souza disse...

suspeita: noturnos se reconhecem em qualquer hora do dia.

Janaina Cruz disse...

Inadiável, é o tempo em que mostre-se ao mundo a tua poesia, que é de encanto e vida! Amei ter encontrado teu cantinho...

Luiza Maciel Nogueira disse...

bom, me identifiquei muito com a poesia - ando tão cansada que a vontade é não fazer nada e tenho tanto pra fazer.

bjs

Andrea de Godoy Neto disse...

Marco, estes teus apontamentos na borda do dia são pérolas.Mas este, dos ossos doloridos, do olhar diluído é de uma realidade que eu bem conheço. Fantástico!

e como disse a Cris, "noturnos se reconhecem em qualquer hora do dia"

um beijo pra ti

Mai disse...

Corpo moído, tempo, tempo, tempo, tempo...e tanto ainda por fazer...


Somos escravos, ou não, PoetArtista querido?

Lara Amaral disse...

Parece eu falando, pensando, sentindo... só que de forma mais poética =)

Beijo.