Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

APONTAMENTO NA BORDA DO DIA (23)

É frequente que eu me sinta
um advogado dos objetos:
tento libertá-los de suas tirânicas funções.

Mas eles são mudos. Nada requerem.
Não me passaram qualquer procuração.
Talvez eu não os defenda por altruísmo,
e haja um egoísmo nessa minha compaixão.

Serei um justiceiro arbitrário, por presunção?
Será que imponho a minha própria liberdade
submetendo todos objetos ao meu olhar,
numa forma diversa de utilitária opressão?

6 comentários:

Batom e poesias disse...

Já fiz isso!
Vira quase um vício, essa necessidade de "desfuncionalizar" objetos ou mudar-lhes a função.

Não é presunção.
É criatividade e insatisfação.
Cabeça de artista!

bj
Rossana

Dario B. disse...

Uma forma de desapego, quem sabe? Marco Aurélio (o imperador) dizia que quanto mais valor damos as coisas maior será nossa decepção com elas. Forte abraço.

betina moraes disse...

ah! que dilema fantástico!

são seus os objetos? ou você já pertence a eles, como objeto?...

certas relações nos fazem mais servis do que os próprios servos.

maravilhoso marco, maravilhoso!


abraço.

Mai disse...

tudo cabe na inquietude.

abraço

Tania regina Contreiras disse...

É um exercício bom, no mínimo!

Beijos,

Cris de Souza disse...

dependendo da função, até pedra vira amuleto...