Imagem do cabeçalho: "O Grande Canal de Veneza" (detalhe) de Turner

quarta-feira, 19 de janeiro de 2011

APONTAMENTO NA BORDA DO DIA (56)

O meu rosto queima-se,
chama branca,
no espelho.

Ao fundo,
o reflexo de uma janela
(espelho dentro de espelho)
por onde a paisagem entra
no incêndio prateado.

Somente há viva cor
em dois círculos castanhos,
semi-foscos,
do centro dos quais
um vulto geminado,
estranhamente,
não grita por socorro.

Por trás dele
a mesma janela,
agora reflexo insignificante
de qualquer paisagem
externa ao espelho.

3 comentários:

Bípede Falante disse...

do outro lado da janela, no lado de fora de uma gaiola, em qualquer ponto da paisagem, o espelho fica mais perto da luz e reflete melhor o que lhe mostram.
bjs.

Tania regina Contreiras disse...

Belo, belo, Marquinho...Poema de fundo de olhos!
beijos,

Adriana Karnal disse...

Marcantônio,
ameop odahlepse...quem é o vulto?
normalmente somos nós...lindo!